Diabetes tipo 1 e tipo 2: entendendo as diferenças e as opções terapêuticas

Diabetes mellitus é um dos distúrbios metabólicos mais comuns, atingindo cerca de 8% da população brasileira. Caracteriza-se pela deficiência absoluta ou relativa de insulina, hormônio produzido pelo pâncreas que é responsável pelo aproveitamento da glicose para geração de energia e para armazenamento de proteínas e gorduras no organismo.

No diabetes tipo 1, que é mais comum em crianças e adolescentes, e corresponde a cerca de 10% de todos os casos de diabetes, ocorre uma falência do pâncreas em produzir insulina, sendo portando obrigatório o uso de insulinas para o controle da glicemia. Já no mais prevalente diabetes tipo 2, mais frequente em adultos acima dos 40 anos, ocorre inicialmente uma resistência à ação da insulina (como se houvesse uma blindagem para a entrada da glicose nas células), mas que se não tratada pode evoluir para exaustão do pâncreas e necessidade de uso de insulinas. Cerca de 80% dos pacientes com diabetes tipo 2 tem sobrepeso ou obesidade associadas. Ressaltamos ainda que, devido à epidemia da obesidade, diabetes do tipo 2 tem se manifestado em crianças e adolescentes, assim como adultos podem ter formas de diabetes semelhantes ao do tipo 1.

As manifestações clínicas do diabetes se caracterizam principalmente por sede excessiva, aumento da diurese, alterações da acuidade visual e, na deficiência maior de insulina, perda de peso e alterações da consciência podendo chegar ao coma. Se não adequadamente tratada, a doença pode levara a comprometimentos cardiovasculares, neurológicos e oculares importantes. Devemos ressaltar que muitos pacientes descobrem o diabetes por exame de sangue de rotina, uma vez que podem ter pouca ou nenhuma manifestação clinica no início da doença .

O tratamento de qualquer forma de diabetes deve ter como pilares dieta adequada a cada paciente e incentivo a exercícios físicos, ou seja, mudanças no estilo de vida. No entanto, com grande frequência há necessidade de tratamento medicamentoso, que se divide em várias categorias:

  • Medicamentos que diminuem a resistência à ação da insulina, representados principalmente pela metformina e também pela pioglitazona
  • Medicamentos que estimulam a produção de insulina pelo pâncreas, como as sulfoniluréias e os fármacos que estimulam a produção de incretinas (principalmente o GLP-1) pelo organismo ou têm diretamente efeito incretínico. A vantagem destes últimos reside no fato de só atuarem quando o paciente se alimenta, evitando assim a hipoglicemia. Além disso, os de ação direta como a liraglutida e a dulaglitida tem a vantagem adicional de reduzirem o apetite, efeito muito importante quando se considera a alta prevalência de sobrepeso e obesidade no diabetes tipo 2.
  • Medicamentos que reduzem a transformação do amido em glicose, como a acarbose, diminuindo assim a absorção do açúcar.
  • Medicamentos glicosúricos, ou seja, que aumentam a eliminação da glicose pela urina, como a canagliflozina, dapagliflozina ou empagliflozina .
  • Insulinas de ação rápida, intermediária, ou lenta, que  combinadas procuram imitar a produção normal de insulina nos pacientes com diabetes tipo 1 ou naqueles do tipo 2 com exaustão pancreática.

A escolha da dieta e medicamentos deve ser individualizada e orientada pelo médico especialista.  É muito importante a monitoração da glicemia pelo paciente diabético, o que tem sido facilitado por aparelhos que não requerer a punção digital para coleta de sangue. Também  as bombas de insulina estão sendo cada vez mais aperfeiçoadas e miniaturizadas, facilitando assim o dia a dia do paciente diabético que requer a administração deste hormônio.